Deficiências Nutricionais na Cana-de-Açúcar: Impacto na TCH e ATR

Solos pobres são responsáveis por deficiências nutricionais na cana-de-açúcar e provocam impactos negativos na produtividade e qualidade do canavial, medidas pela quantidade de Toneladas de Cana por Hectare (TCH) e Açúcares Totais Recuperáveis (ATR).

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Nos últimos 20 anos, o setor sucroenergético nacional registrou um crescimento vertiginoso no volume de produção de cana, saltou da casa das 200 milhões de toneladas para a marca de mais de 600 milhões e regrediu para a casa dos 500 milhões.

Grande parte desse aumento na produção ocorreu em decorrência de aumento de área de plantio e não foi resultado de aumento de produtividade, pelo contrário, a média de produtividade do setor no final dos anos de 1990 estava na casa de 90 toneladas por hectare, as últimas safras a média está na cada das 70 toneladas.

Um dos responsáveis pela queda de produtividade do setor é a instalação de unidades produtoras em novas fronteiras. A expansão se deu predominantemente em solos de menor fertilidade, em sua maioria arenosos, ocupados anteriormente por pastagens ou vegetações de cerrado ou tabuleiro.

Esse fato segue até hoje como um dos principais responsáveis pelas baixas produtividades da cultura. Embora exista uma crença – errônea – de que a cana-de-açúcar é uma planta rústica e que produz sob “quaisquer condições”, é vital que produtores e usinas conduzam um bom manejo nutricional com corretivos e fertilizantes, especialmente nesses solos mais “pobres”, a fim de suprir a deficiências nutricionais na cana-de-açúcar e consequentemente elevar a produtividade das áreas e a rentabilidade do negócio.

O Representante Técnico de Vendas (RTV) da Stoller, Marco Henrique Malheiros Bassi, explica que os nutrientes são fundamentais para a realização do processo mais importante da cana-de-açúcar: a fotossíntese. “Tanto os macros como os micronutrientes são essenciais para um bom estabelecimento da cultura, bem como para sua perenidade, já que o canavial deve permanecer produtivo por, no mínimo, seis anos.”

O profissional reforça que a grande maioria dos solos destinados a produção de cana-de-açúcar no Brasil estão com baixos níveis de alguns micronutrientes, como manganês, zinco, boro e cobre. Dessa forma, sem uma reposição nutricional adequada, principalmente durante o preparo de solo e na manutenção das áreas pós-colheita, haverá problemas relacionados às deficiências nutricionais na cana-de-açúcar como problemas na brotação, perfilhamento e acúmulo de biomassa e, consequentemente, impactos negativos na produtividade e qualidade do canavial, medidas pela quantidade de Toneladas de Cana por Hectare (TCH) e Açúcares Totais Recuperáveis (ATR).

“A falta de manganês afeta a fotólise da água, reação mais importante da fotossíntese. O zinco, é importante para a síntese de clorofila, enzimas e hormônios vegetais. Ele também é essencial para o desenvolvimento adequado das raízes, o que ajuda a aumentar a absorção de nutrientes e água pelas plantas. O zinco desempenha um papel importante na defesa das plantas, pois é necessário para a produção de antioxidantes, que ajudam a neutralizar os radicais livres produzidos durante o estresse ambiental e a infecção por patógenos. Já o boro auxilia no transporte de fotoassimilados e na formação da parede celular. Por fim, o cobre é necessário para a síntese de proteínas, a produção de clorofila e a formação de paredes celulares. Além disso, o cobre é um elemento essencial no processo de defesa das plantas, uma vez que ajuda a fortalecer a parede celular, tornando-a mais resistente a infecções por patógenos. O cobre também é utilizado como um fungicida natural para prevenir o crescimento de fungos patogênicos em plantas.”

Mas não são apenas os micronutrientes que devem ser repostos. Nitrogênio, fósforo, potássio, enxofre, cálcio e magnésio estão entre os macronutrientes exigidos em maior concentração pela cana-de-açúcar e que estão em falta na maioria dos solos do país. “A fertirrigação com vinhaça tem se popularizado no setor pela possibilidade de suprir potássio por meio de um subproduto do processo industrial que anteriormente era descartado. No entanto, áreas com alto teor desse elemento podem ter problemas com absorção de magnésio, um ativador de enzimas e cuja deficiência inibe a fixação de CO2. Por conta disso, é importante manter uma nutrição equilibrada para evitar deficiências nutricionais na cana-de-açúcar. Através desta nutrição garantimos que todos os nutrientes essenciais estejam prontamente disponíveis, para a planta e em quantidades que garantam seu pleno desenvolvimento.”

Falta de um único nutriente poderá limitar produção, mesmo que haja excesso de outros

Há quase 200 anos, o químico alemão Justus Von Liebig criou um dos conceitos mais importantes no que tange a nutrição de plantas. A Lei do Mínimo – ou Lei de Liebig – afirma que o rendimento de uma colheita é limitado pela ausência de cada um dos 17 elementos considerados essenciais para o pleno desenvolvimento das culturas agrícolas, sendo três fornecidos pelo ar atmosférico (carbono, hidrogênio e oxigênio) e os outros 14, por absorção radicular e/ou foliar (nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio, magnésio, enxofre, manganês, boro, zinco, molibdênio, cobre, ferro, níquel e cloro).

Resumidamente, Von Liebig afirmou que o excesso de determinado nutriente não supre a falta de outro. Ou seja, é vital que todos os elementos citados anteriormente estejam disponíveis, em quantidades adequadas e de forma que possam ser prontamente assimilados pela cultura a fim de que ela possa expressar seu máximo potencial produtivo. “Se qualquer um daqueles nutrientes estiver abaixo do nível exigido, aqueles que estiverem dentro da normalidade não serão capazes de substituir o que está em deficiência. Sendo assim, um único elemento faltante poderá limitar a produção como um todo”, analisa o RTV da Stoller, Marco Henrique Malheiros Bassi.

Pensando em auxiliar os produtores e usinas a manter um bom equilíbrio nutricional em seus solos, a Stoller criou o “PromovaND”, um programa cujo objetivo é nutrir a cana-de-açúcar em seu período de maior acúmulo de biomassa. Composto por quatro produtos distintos (StarterCana, NCana,  Stimulate e Re-leaf), a solução irá aumentar a taxa fotossintética da cultura ao mesmo tempo em que defende a planta do ataque de doenças pela promoção e construção de plantas mais resistêntes. O resultado é um canavial bem estabelecido, sadio e altamente produtivo.

Bassi explica que o “Starter Cana” é um fertilizante foliar com formulação balanceada que promove o equilíbrio nutricional através do fornecimento de elementos escassos nos solos brasileiros, mas altamente importantes, uma vez que participam ativamente do desenvolvimento da cultura, como, enxofre, boro, manganês, molibdênio e zinco. “Esses nutrientes são prontamente assimiláveis e quelatizados, garantindo melhor absorção e aproveitamento.”

Em complementação ao “Starter Cana”, a Stoller disponibiliza também o “NCana”. Sua formulação é composta por nitrogênio e molibdênio, elementos vitais para um melhor desenvolvimento da cultura, pois auxilia na formação de folhas, favorece o rápido crescimento dos colmos e participa ativamente do processo de fotossíntese. “Esse composto nitrogenado é aplicado de forma foliar e possui liberação gradual (30 a 40 dias), aumentando a eficiência da utilização desses macronutrientes via folha e favorecendo a produção de biomassa.”

Já o Stimulate age como um regulador de crescimento vegetal, ele provê três hormônios altamente necessários para que a planta enraíze, brote e perfilhe da melhor maneira. “A CINETINA promove o crescimento – não apenas através da divisão celular, mas também do alongamento celular – e induz o crescimento das gemas laterais, não interferindo na dominância apical. O ÁCIDO GIBERÉLICO determina o tamanho dos frutos ao passo que favorece a brotação. Já o ÁCIDO 4-INDOL-3-ILBUTÍRICO participa do crescimento – principalmente pelo alongamento celular, e também induz a formação de primórdios radiculares.”  

Por fim, a nutrição adequada pode fornecer às plantas os nutrientes necessários para fortalecer seu sistema imunológico, enquanto uma deficiência nutricional pode deixá-las mais suscetíveis a doenças e pragas. Para isso o Re-leaf completa o programa PromovaND trazendo o benefício do Cobre e Zinco,  micronutrientes essenciais para o desenvolvimento saudável de plantas, e  que desempenham um papel fundamental na defesa das plantas contra doenças e pragas.

Lembrando que o PromovaND integra o “Cana Perene”, um programa macro da Stoller que maneja a cana-de-açúcar ao longo do seu ciclo, atendendo às principais necessidades da cultura, em cada etapa do seu desenvolvimento, através de soluções integradas.

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