Grãos de Milho: o sucesso da safra está na formação da espiga

Visando a produção de grãos de milho, além de compreender as diferentes fases de desenvolvimento da cultura, é essencial conhecer os estádios responsáveis pela definição de componentes de produtividade, os quais refletem diretamente na produtividade da cultura. Como o objetivo final é a produção de grãos de milho em qualidade e quantidade satisfatórias, o período de formação da espiga é um dos períodos mais importantes e delicados da cultura do milho.

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Conforme destacado por Passini (2016), a formação da espiga do milho tem início ainda no período vegetativo da cultura, antes mesmo período reprodutivo. Entre V6 e V10, o potencial do número de fileiras por espiga é determinado, já em VT (pendoamento) o potencial de grãos de milho por fileira na espiga é definido e, consequentemente, o potencial do número final de grãos (a partir do número de óvulos) e o potencial do tamanho das espigas começa a ser definido (Ciampitti; Elmore; Lauer, 2016). Conforme Magalhães & Durães (2006) a determinação do número de óvulos (grãos em potencial) em cada espiga, assim como o tamanho da espiga, ocorre em V12.

Tabela 1. Estádios críticos do crescimento e seus componentes para definição da produção de milho.

1 Potencial de massa de grãos = é definido quando a divisão acontece no endosperma, 7 a 10 dias após a polinização (R1-R2 ou “fase de latência” da curva de crescimento sigmoidal de grãos).

2R1 = Potencial de óvulos ou potencial do número de grãos, se não houver estresse afetando a polinização ou a fase de desenvolvimento final de grãos.

3Fábrica = Após o início do pendoamento em V5, todas as partes da planta de milho já estão desenvolvidas para suportar a espiga e o desenvolvimento de grãos.

Fonte: Ciampitti; Elmore; Lauer (2016)

Figura 1: Desenvolvimento primário de uma espiga no estádio fenológico V9.

Desenvolvimento primário de uma espiga no estádio fenológico V9

Foto: Antônio Perdomo, Passini (2016)

O adequado aporte nutricional e manejo fitossanitário são essenciais nesses períodos de definição de componentes de produtividade e formação de espiga do milho, e assim como no período reprodutivo, estresses ambientais ou déficits nutricionais podem interferir no desenvolvimento da cultura refletindo em baixa produção ou qualidade dos grãos ou sementes. Conforme destacado por Passini (2016), estresses ambientais quando o milho estiver em processo de desenvolvimento de componentes de produtividade como definição do número de grãos por espiga, número de óvulos por espigas, polinização dos óvulos para formação de embriões e tamanho máximo de grãos durante o período de enchimento de grãos (R3 a R5), podem reduzir significativa a produtividade da cultura.

Segundo Magalhães & Durães (2006), durante seu ciclo o milho necessita de aproximadamente 600mm de água e dois dias de estresse hídrico no florescimento diminuem o rendimento em mais de 20% enquanto quatro a oito dias diminuem em mais de 50%, sendo que déficit hídrico é um dos principais estresses responsáveis pela redução da produtividade do milho, interferindo diretamente na formação da espiga. Além do estresse decorrente de déficits hídricos outro fator que interferem diretamente na formação de espigas é a temperatura, ou mais especificamente o estresse por temperatura.

Elevadas temperaturas no período de formação dos estilo-estigmas e polinização podem prejudicar a fecundação e formação dos grãos em virtude da dificuldade nos grãos de pólen em alcançar o ovulo em virtude do secamento dos estilo-estigmas ou até mesmo perda de viabilidade dos grãos de pólen. Normalmente 75% das espigas apresentam seus estilos-estígmas expostos, após o período de 10-12 dias do aparecimento do pendão (VT) (Magalhães & Durães, 2006).

Não só as elevadas temperaturas podem prejudicar a formação das espigas, uma resposta fisiológica que produz espigas muito pequenas, chamadas de “Latinhas de Cerveja”, pode ocorrer pela combinação de fatores de estresse ambiental, possivelmente por frio ou seca durante os estádios críticos da formulação de óvulos e genética (Passini, 2016).

Figura 2. Espigas muito curtas – chamadas de “Latinhas de Cerveja”.

Espigas muito curtas

Fonte: Passini (2016)

Além de estresses ambientais, uma série de fatores podem interferir na formação da espiga afetando o rendimento de grãos e qualidade do milho produzido, variando desde aplicações inadequadas de herbicidas, déficits nutricionais e estresses oriundos do ataque de pragas ou doenças. Sendo assim, deve-se dar atenção especial ao período de formação de espigas, sendo esse diretamente relacionado a produtividade do milho.

Referências:

CIAMPITTI, I. A.; ELMORE, R. W.; LAUER, J. FASES DE DESENVOLVIMENTO DA CULTURA DO MILHO. Out. 2016.

MAGALHÃES, P. C.; DURÃES, F. O. M. FISIOLOGIA DA PRODUÇÃO DE MILHO. Embrapa, Circular Técnica, n. 76, 2006.

PASSINI, F. O IMPACTO DO ESTRESSE AMBIENTAL NA FORMAÇÃO E DESENVOLVIMENTO DAS ESPIGAS DE MILHO. Pionner Sementes, Comunicado Técnico, nov. 2016.

WEISMANN, M. FASES DE DESENVOLVIMENTO DA CULTURA DO MILHO. Tecnologia e Produção: Milho Safrinha e Culturas de Inverno, 2008.

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