Florescimento do Cafeeiro: entenda este período
Para o sucesso da atividade cafeeira, é necessário o conhecimento dos processos fisiológicos e fenológicos das plantas. A fase de florescimento do cafeeiro envolve diversos fatores da própria planta e do ambiente.
Os principais fatores ligados as plantas são o melhor equilíbrio entre os hormônios promotores e inibidores de crescimento, equilíbrio nutricional, enfolhamento e quantidade de reservas acumuladas. Já os fatores ligados ao ambiente são temperatura, radiação, fotoperíodo e recursos hídricos. Uma maior compreensão das interações entre esses fatores, pode contribuir para o desenvolvimento de práticas de manejo mais adequadas, resultando em um maior vingamento da florada e pegamento de frutos.
As fases reprodutivas compreendem uma sequência de eventos de natureza morfológica, bioquímica e fisiológica. O desenvolvimento floral do cafeeiro compreende as seguintes etapas de desenvolvimento das gemas: indução e iniciação (R1), diferenciação (R2), crescimento/desenvolvimento (R3 e R4), latência (R5) e antese (R6). As primeiras etapas ocorrem entre os meses de janeiro a abril, já as fases de latência e abertura das flores (antese), ocorrem geralmente entre os meses de setembro a novembro.

O período de pré-florada do cafeeiro que acontece após um longo período de restrição hídrica, inicia-se com a passagem dos botões florais que estavam em dormência (devido ao alto nível de ácido abscisico) no estágio de R3 para os estágios de R4 e R5, o que acontece após o retorno das chuvas, dias mais longos e aumento da temperatura. Os estágios de R4 e R5 são compreendidos como período de Pré-florada, período em que os botões passam da cor verde para cor branca.

Neste momento de “pré florada” o manejo dos fatores que são essenciais para o bom vingamento de florada e posteriormente, um bom pegamento dos frutos são:
A associação dos hormônios promotores de crescimento em balanço adequado, possibilitará ganhos no vingamento da florada, pegamento dos frutos e maior eficiência fotossintética.
Após a Pré-Florada (R4 e R5) inicia-se a antese (abertura das flores), caracterizando a fase de florada do cafeeiro (R6). Quando a flor se abre o ovário já se transformou em primórdio de fruto, em um processo popularmente conhecido como vingamento da florada. Isso ocorre porque a espécie Coffea arabica L. possui flores hermafroditas (sexos masculino e feminino na mesma flor), auto férteis (fertilização do óvulo pelo pólen da mesma flor) e, portanto, auto compatíveis, reproduzindo-se predominantemente por autofecundação (autógamas).
Podem ocorrer um número variável de floradas, principalmente devido as características da cultivar (material genético) e das condições ambientais.

Sabe-se que a produção de flores e, consequentemente, de frutos de C. arabica L. depende do crescimento dos ramos plagiotrópicos formados na estação anterior, assim, fatores que inibem ou promovem o crescimento vegetativo acabam por influenciar o florescimento e a frutificação do cafeeiro. É por isso que se diz que a arte de produzir café é a arte de fazer folhas novas e evitar que elas caiam prematuramente.
Da interação de todos estes fatores citados acima, serão definidos o potencial produtivo e a uniformidade de maturação, que influenciará diretamente a qualidade dos frutos colhidos no momento de colheita.
O florescimento do cafeeiro é um processo heterogêneo, complexo e seu entendimento está diretamente ligado a produtividade e consequente rentabilidade da lavoura.
Condições extremas de seca e altas temperaturas interferem na formação das estruturas reprodutivas. Desse modo, os botões florais ainda não estão preparados para a fecundação e antese, uma vez que não se desenvolveram completamente. Com a desidratação dos tecidos florais, a corola, que é formada por um conjunto de pétalas soldadas umas às outras, se abre repentinamente expondo os elementos florais ainda não desenvolvidos, daí a aparência atrofiada da flor, também chamadas flores estrelinhas.
A presença de estrelinhas nas lavouras de café é um aviso, uma resposta das plantas ao clima adverso de que algo está fugindo da normalidade, o que podemos chamar de “anomalia fisiológica”.