Boro na soja

A nutrição é um dos principais fatores limitantes da produtividade da soja, tanto a deficiência de macro quanto de um micronutriente pode limitar a produtividade da cultura, restringindo o potencial produtivo da planta, mesmo sob condições adequadas de clima e disponibilidade hídrica, fato conhecido por Lei de Liebig ou Lei do Mínimo, que estabelece que “o rendimento de uma safra é limitado pelo elemento cuja concentração é inferior a um valor mínimo, abaixo do qual as sínteses não podem mais fazer-se” (Mais Soja, 2019).

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Em termos gerais, na nutrição vegetal os nutrientes são divididos em macronutrientes e micronutrientes em função da quantidade requerida pela cultura, sendo que os macronutrientes são aqueles requeridos em maiores quantidades pela planta, enquanto aos micronutrientes são aqueles requeridos em menores quantidades. Cabe destacar que ambos desempenham funções essenciais para o metabolismo vegetal, e que a deficiência de algum deles (seja macro ou micro), pode limitar a produtividade da cultura.

As plantas de soja, assim como as demais plantas, necessitam de uma variedade de nutrientes para crescer e se desenvolver de maneira saudável. Por isso, saber reconhecer os sinais de deficiência na soja é essencial. Baixe grátis este guia e tenha em mãos as descrições e fotos dos sintomas que planta apresenta.

Guia deficiência soja

Conforme destacado por Taiz et al. (2017), um dos micronutrientes essenciais para a cultura da soja é o Boro (B), que bioquimicamente na planta, forma complexo com constituintes das paredes celulares, estando envolvido no alongamento celular e no metabolismo de ácidos nucleicos.

Boro na soja

Mesmo que muitas funções desempenhadas pelo Boro na soja ainda não estejam claras, de modo geral esse micronutriente é fundamental para o metabolismo de carboidratos e síntese de proteínas, além de contribuir para a melhoria da germinação do pólen, sendo frequentemente associado a floração das culturas. Pode-se dizer que a função da membrana celular, assim como a formação de nódulos, a floração e o desenvolvimento de frutos e sementes dependem do adequado fornecimento de Boro (IPNI).

Evidências mostram que o Boro promove ligações cruzadas RG II (ramnogalacturonano II, um pequeno polissacarídeo péctico) na parede celular, sugerindo que ele desempenhe um papel no alongamento celular, na síntese de ácidos nucleicos, nas respostas hormonais, na função da membrana e na regulação do ciclo celular (Taiz et al., 2017).

Respostas da cultura da soja

Embora em algumas situações o Boro possa ser naturalmente encontrado nos solos agrícolas, na grande maioria dos casos, as concentrações do micronutriente são inferiores às requeridas pelas culturas para a obtenção de altas produtividades, sendo necessário realizar a adubação com Boro na soja. Conforme observado por Santini et al. (2015), a cultura da soja responde positivamente a adubação com Boro, havendo incremento de produtividade superior a 15% em plantas adubadas com o micronutriente, em comparação a plantas que não receberam a adubação com Boro.

Figura 1. Produtividade de grãos de soja, submetida a doses de B, em sulco de semeadura.

Produtividade de grãos de soja
¹Produtividade = 295,97B + 4259,1 (R² = 0,7294)
Fonte: Santini et al. (2015)

Embora o Boro seja considerado um nutriente relativamente imóvel na maioria das espécies vegetais (Taiz et al., 2017) e a adubação via solo seja a mais adequada, por se tratar de um nutriente requerido em pequenas quantidades pela planta, é comum observar a adubação com Boro via foliar, simultaneamente a aplicação de determinados herbicidas.

Produtos como o glifosato e o glifosato potássico podem ser aplicados associados com ácido bórico (H3BO3) que contém 17% de B ou com o octaborato dissódico (Na2B8O13.4H2O), com 20,5% de B. Na mistura, as fontes fertilizantes possuem apenas a função de fornecer boro às plantas e, em alguns casos, corrigir a deficiência do nutriente no solo ao longo do tempo.

Além dessas fontes de B, existem soluções que possibilitam maior versatilidade servindo inclusive como fonte de outros micronutrientes para a soja, a exemplo do MOVER da Stoller, que é um complexo de micronutrientes que melhora a eficiência das plantas durante a granação/frutificação, cooperando para maior peso e qualidade de grãos/frutos, aumentando a produtividade. Em sua composição, o MOVER apresenta nitrogênio, boro, cobre, molibdênio e zinco, sendo absorvido pelas folhas, pelos ramos ou colmos e a parte da pulverização que cai no solo é absorvida pelas raízes (Stoller, 2022).

Sobretudo, para a adequada correção dos níveis nutricionais do solo, leva-se em consideração os teores do nutriente mediante análise química da fertilidade do solo ou análise de tecidos vegetais. Em média, são requeridos cerca de 82 g B t-1 de grãos produzidos (Oliveira Junior et al., 2020).

Quando utilizado ácido bórico como fonte de Boro, mesmo que sua solubilidade seja alta, não é aconselhada a aplicação de doses superiores a 4,0 kg 100 L-1 de calda (Oliveira Junior et al., 2020). As principais fontes de Boro utilizadas na agricultura estão apresentadas na tabela 1.

Tabela 1. Formas comuns de fertilizantes contendo Boro.

Formas comuns de fertilizantes contendo Boro.
*Solubor ® marca registrada de U. S. Borax Inc.
Fonte: IPNI

Quando realizada a adubação boratada via foliar, recomenda-se que essa seja realizada em V2 ou R2 do ciclo de desenvolvimento da soja (IPNI). Além das tradicionais fontes de Boro, soluções mais atualizadas como complexos de micronutrientes como MOVER e STARTER da Stoller, que apresentam em sua composição o Boro, podem ser interessantes fontes de nutriente para a soja, especialmente pelos benefícios e versatilidade não só no fornecimento do Boro, como também de outros micronutrientes presentes nas formulações.

Sintomas de deficiência

Os sintomas de deficiência de Boro são variáveis em função da planta, um sintoma característico é a necrose preta de folhas jovens e gemas terminais (Taiz et al., 2017).  Na cultura da soja, normalmente a deficiência de boro aparece inicialmente causando um anormal e lento desenvolvimento dos pontos de crescimento apical, os folíolos das folhas novas são deformados, enrugados, com frequência ficam mais grossos e com cor verde-azulado escuro (Borkert et al., 1994), em alguns casos, é possível observar também a clorose internerval nas folhas jovens e pontas curvadas para baixo, morte dos ponteiros, inibição do florescimento e paralização do crescimento do sistema radicular (IPNI).

Cabe destacar que a cultura da soja também apresenta sensibilidade a toxidez por Boro, sendo que elevados teores do nutriente podem desencadear o amarelecimento das pontas dos folíolos seguido de progressiva necrose, que começa nas pontas e nas margens e, finalmente, espalha-se entre as nervuras laterais e encaminha-se para a nervura central, podendo causar a queda prematura das folhas (Borkert et al., 1994).

Figura 2. Sintomas de deficiência de Boro em soja

Sintomas de deficiência de Boro em soja
Fonte: Nutrição de plantas

Ainda que requerido em pequenas quantidades, o Boro exerce funções fundamental para o metabolismo vegetal, logo, para a obtenção de altas produtividade de soja, a adequação dos teores desse micronutriente no solo é fundamental para evitar perdas produtivas, sendo necessário atentar para o manejo desse nutriente, visando fornecer Boro em quantidades suficientes para a soja, mas sem desencadear efeitos tóxicos à cultura.

Referências:

BORKERT, C. M. et al. SEJA O DOUTOR DA SUA SOJA. POTAFOS, Arquivo Agronômico, n. 5, 1994.

IPNI. NUTRI-FATOS: INFOMAÇÃO AGRONOMIA SOBRE NUTRIENTES PARA AS PLANTAS, BORO. International Plant Nutrition Institute.

MAIS SOJA. A LEI DE LIEBIG (OU LEI DO MÍNIMO) E A PRODUTIVIDADE DAS LAVOURAS. Mais Soja, 2019.

OLIVEIRA JUNIOR, A. et al. FERTILIDADE DO SOLO E AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL DA SOJA. Embrapa, Tecnologias de Produção de Soja, cap. 7, 2020.

SANTINI, J. M. K. et al. ADUBAÇÃO BORATADA NA CULTURA DA SOJA EM ÁREA DE CERRADO. XXXV Congresso brasileiro de Ciência do Solo, 2015.

STOLLER. SOLUÇÕES INTEGRADAS STOLLER: FISIOLÓGICOS. Stoller, 2022.

TAIZ, L. et al. FISIOLOGIA E DESENVOLVIMENTO VEGETAL. Porto Alegre, ed. 6, 2017.

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