Adubo para soja: entenda como funciona a adubação foliar

Visando obter maiores ganhos produtivos, o adubo para soja é uma das principais estratégias de manejo para suprir o requerimento nutricional da cultura e repor a exportação de nutrientes.

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Para que a planta de soja possa expressar seu potencial produtivo, são necessárias condições adequadas de temperatura, radiação solar, água e nutrientes, além do bom manejo de pragas, doenças e plantas daninhas. Embora naturalmente grande parte nos nutrientes possam ser encontrados no solo, oriundos da mineralização do solo e/ou decomposição e mineralização de resíduos orgânicos, nem sempre a fertilidade natural é capaz de proporcionar altas produtividade de soja.

Adubo para soja entenda como funciona a adubação foliar

O tipo de adubo/fertilizante utilizado pode variar em função da disponibilidade do insumo, preço e recomendação técnica, entretanto, pode-se dizer que a grande maioria dos programas de adubação da cultura utilizam fertilizantes químicos, minerais e/ou orgânicos.

Em virtude da maior necessidade da planta por macronutrientes, em especial Nitrogênio (N), Fósforo (P) e Potássio (K), em lavouras comerciais, normalmente esses nutrientes são fornecidos via fertilizantes formulados N-P-K.

De modo geral, o uso dos fertilizantes na cultura da soja varia em função da extração e exportação da cultura, expectativas de produtividade e tipo de solo. Normalmente, os macronutrientes (requeridos em maiores quantidades) são fornecidos via adubação de base ou cobertura, e os micronutrientes (requeridos em menores quantidades), via tratamento de sementes, pulverização e/ou em mistura com outros fertilizantes.

Cabe destacar que embora haja grande diferença entre a quantidade de macro e micronutrientes requeridos pela soja, ambos desempenham funções essenciais para o metabolismo, crescimento e desenvolvimento vegetal, sendo que a deficiência de qualquer um deles limita a produtividade da soja, mesmo estando os demais disponíveis em quantidades superiores ao requerido pela cultura.

Figura 1. Desenvolvimento de plantas de soja (sistema radicular e parte aérea) no pleno florescimento, cv BRS Charrua RR, em solo argiloso com baixo teor de fósforo, sem o fornecimento de fósforo (à esquerda) e com o fornecimento de fósforo (à direita).

Plantas de soja no pleno florescimento
Fonte: Broch & Ranno (2012)

Para um adequado manejo da adubação, deve-se realizar o diagnóstico das condições químicas e nutricionais do solo, normalmente, através da análise química da fertilidade do solo. Além disso, para a recomendação da quantidade de fertilizante a ser utilizado, deve-se levar em consideração as recomendações técnicas para cada região de cultivo, sendo baseadas normalmente no requerimento da cultura, expectativas de produtividade e tipo de solo.

Para uma análise mais detalhada, principalmente se tratando dos micronutrientes, pode-se realizar a análise foliar da cultura. Através dela é possível observar a condição nutricional atual da planta, a fim de estabelecer possíveis intervenções. Embora normalmente os micronutrientes sejam empregados via pulverização na cultura da soja, para melhores resultados é preciso compreender algumas características, como mobilidade interna de nutrientes e sintomas de deficiência na planta.

Cabe destacar que além da sustentação, as raízes da planta são os órgãos responsáveis pela absorção de água e nutrientes do solo, passando a distribui-los através do xilema. Logo, a absorção de nutrientes pelas folhas da soja pode ser limitada, havendo influência ainda da mobilidade do nutriente, condições climáticas e ambientais.

Figura 2. Representação esquemática dos vasos condutores xilema e floema.

Representação esquemática dos vasos condutores
Adaptado: SQM Vitas

Ainda que a quantidade requerida de micronutrientes pela planta seja significativamente menor em comparação aos macronutrientes, possibilitando a aplicação na parte aérea da cultura, para uma adubação foliar eficiente, é necessário conhecer a mobilidade dos nutrientes, buscando posicioná-los de forma adequada, seja na adubação foliar ou via solo.

Tabela 1. Mobilidade comparada dos nutrientes aplicados nas folhas. Em cada grupo os elementos aparecem em ordem decrescente.

Mobilidade comparada dos nutrientes aplicados nas folha
Fonte: Malavolta (1980), apud. Prado (2004)

Da mesma forma em que conhecer a mobilidade dos nutrientes em especial dos micronutrientes na planta é fundamental para embasar a adubação foliar da soja, também é importante para identificar os sintomas de deficiências nutricionais na cultura (Prado, 2004).

O local de ocorrência dos sintomas de deficiência nutricional apresenta relação com a mobilidade do nutriente na planta. Os sintomas de nutrientes considerados móveis na planta, como Nitrogênio, Fósforo, Potássio e Magnésio, são observados nas folhas velhas da planta. Já os sintomas de nutrientes considerados imóveis ou parcialmente móveis, como Cálcio, Enxofre, Boro, Ferro, Zinco, Cobre, Manganês e Molibdênio, são observados nas folhas jovens da planta.

Cabe destacar que embora muito utilizada, especialmente sob condições de estresse ambiental, e em lavouras e alto nível tecnológico, a adubação foliar na cultura da soja constitui uma prática de manejo complementar, exercendo papel de ajuste fino da nutrição da planta. Logo, não substitui a adubação de base e/ou cobertura.

Referências:

BROCH, D. L.; RANNO, S. K. FERTILIDADE DO SOLO, ADUBAÇÃO E NUTRIÇÃO DA CULTURA DA SOJA. Fundação MS, Tecnologia e Produção: Soja e Milho 2011/2012, 2012.

PRADO, R. MELO. ABSORÇÃO E MOVIMENTAÇÃO DE NUTRIENTES NAS PLANTAS. Nutrição de Plantas: A chave para alta produção com qualidade, 2004.

SQM VITAS. NUTRIÇÃO: MOBILIDADE DOS NUTRIENTES

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