Em quais estágios da soja que devemos avaliar a nodulação?

O nitrogênio (N) é o nutriente mais requerido pela cultura da soja, sendo extraídos cerca de 83 kg para cada tonelada de grãos produzidos (Carmello & Oliveira, 2006), logo, sua carência pode resultar em perdas de produtividade da cultura. Além disso, o nitrogênio exerce importantes funções bioquímicas na planta, sendo constituinte de aminoácidos, amidas, proteínas, ácidos nucleicos, nucleotídeos, coenzimas, hexosaminas etc. (Taiz et al., 2017).

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Embora o nitrogênio constitua a maior parte do volume atmosférico (78%), ele não está prontamente disponível em formas assimiláveis pelas plantas. Felizmente, por meio do processo de fixação biológica de nitrogênio (FBN), que consistem em uma simbiose em planta e microrganismos, bactérias fixadoras de nitrogênio convertem o nitrogênio atmosférico em formas assimiláveis pelas plantas.

Popularmente, as bactérias fixadoras de nitrogênio mais conhecidas e empregadas na agricultura são as bactérias do gênero Bradyrhizobium, contudo, nem sempre estão presentes em quantidades satisfatórias no solo para suprir toda a demanda de nitrogênio da soja pela FBN, sendo necessário aumentar a população dessas bactérias por meio da inoculação. Conforme destacado por Prando et al. (2020), a inoculação da soja com bactérias do gênero Bradyrhizobium pode refletir em incremento médio de produtividade de até 8% em comparação a soja não inoculada.

O que são nódulos da FBN?

Como parte do complexo processo de fixação biológica de nitrogênio (FBN), as bactérias fixadoras de nitrogênio penetram nas raízes da soja e promovem o crescimento de células específicas, formando nódulos, onde ficam alojadas.

Figura 1. Nódulos de FBN em raízes de soja.

Nódulos de FBN em raízes de soja
Foto: Fábio M. Mercante/Embrapa

Como características dos nódulos oriundos desse processo simbiótico, podemos destacar a coloração interna rosácea dos nódulos, conferida pela presença da leghemoglobina, cuja principal função é o transporte de oxigênio (Hungria; Campo; Mendes., 2001). Logo, um nódulo com a coloração interna rosácea pode ser considerado um nódulo viável/saudável.

Figura 2. Corte transversal de um nódulo de FBN.

Corte transversal de um nódulo de FBN.
     Fonte: Embrapa

Quando avaliar a nodulação da soja?

Segundo Hungria; Campo; Mendes (2001), a partir de cinco a oito dias após e emergência da soja já é possível observar a formação dos primeiros nódulos com bom tamanho nas raízes de soja, sendo possível observar em número de quatro a oito nódulos bem formados ao redor dos 12 dias após a emergência da cultura.

Os autores ainda destacam que o ideal é encontrara nódulos com tamanho igual ou superior a 2 mm, por esses apresentarem maior capacidade em realizar a fixação biológica de nitrogênio. Na prática, recomenda-se a vistoria e análise do sistema radicular da soja visando avaliar a nodulação  a partir do estádio de desenvolvimento V3 (figura 3) sendo ideal encontrar de 15 a 20 nódulos sadios na raiz pivotante por planta de soja.

Figura 3. Soja em estádio de desenvolvimento V3, conforme classificação da escala fenológica  proposta por Fehr & Caviness (1977).

Soja em estádio de desenvolvimento V3

Fonte: Stoller

Conforme apresentado por Hungria; Campo; Mendes. (2001), plantas de soja com boa nodulação devem apresentar em média de 15 a 30 nódulos por planta no período do florescimento da cultura. A capacidade em realizar a FBN na cultura da soja está intimamente relacionada com a quantidade e massa de nódulos, sendo assim, uma nodulação abundante e sadia tende a possibilitar maior FBN e consequentemente maior disponibilidade de nitrogênio para a soja, refletindo em boas produtividades da cultura.

Além disso, a fixação biológica de nitrogênio pode ser vista como uma forma sustentável e de baixo custo para fornecer nitrogênio à soja, e a avaliação da nodulação é de suma importância para identificar a eficiência da inoculação.

Referências:

CARMELLO, Q. A. C.; OLIVEIRA, F. A. NUTRIÇÃO DE LAVOURAS DE SOJA: SITUAÇÃO ATUAL E PERSPECTIVAS. Visão Agrícola, 2006.

FEHR, W.R.; CAVINESS, C.E. STAGES OF SOYBEAN DEVELOPMENT. Ames: Iowa State University, (Special Report, 80), 12p. 1977.

HUNGRIA, M.; CAMPO, R. J.; MENDES, I. C. FIXAÇÃO BIOLÓGICA DO NITROGÊNIO NA CULTURA DA SOJA. Embrapa Soja, Circular Técnica, n. 35; Embrapa Cerrados, Circular Técnica, n. 13, 2001.

PRANDO, A. M. et al. COINOCULAÇÃO DA SOJA COM Bradyrhizobium E Azospirillum NA SAFRA 2019/2020 NO PARANÁ. Embrapa, Circular Técnica, n. 166, 2020.

TAIZ, L. et al. FISIOLOGIA E DESENVOLVIMENTO VEGETAL. Porto Alegre, ed. 6, 2017.

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