Para que expressem plenamente seu potencial produtivo, as plantas precisam, entre outros fatores, de uma nutrição adequada, livre de limitações, e compatível com suas exigências nutricionais e com as expectativas de produtividade. Nesse contexto, a nutrição de plantas é um ramo fundamental da agricultura, que tem como objetivo fornecer os nutrientes em quantidade e qualidade suficientes para assegurar o pleno funcionamento do metabolismo vegetal e, consequentemente, o bom desempenho das culturas agrícolas.
Na agricultura moderna, a nutrição adequada otimiza a eficiência das plantas e o uso dos insumos, além de reduzir os desperdícios com fertilizantes, proporcionando um ambiente equilibrado para o crescimento e desenvolvimento vegetal, de forma rentável e sustentável.
Em ambientes agrícolas, a disponibilidade de nutrientes apresenta relação direta com a produtividade das lavouras. A deficiência de um nutriente essencial pode limitar o desenvolvimento e a produtividade das plantas, mesmo que todos os outros nutrientes estejam presentes em concentrações adequadas ou elevadas no solo. Esse princípio é conhecido como Lei do Mínimo, ou Lei de Liebig, e destaca que o fator mais limitante determina o desempenho da planta.

Nesse contexto, a nutrição adequada é determinante não só para o bom crescimento e desenvolvimento vegetal, como também para obtenção de boas produtividades e sustentabilidade das lavouras, contribuindo para o aumento segurança alimentar, via aumento da produção agrícola.
Fundamentos da Nutrição Mineral
Para efeito de manejo, os nutrientes requeridos pelas plantas são divididos em macronutrientes e micronutrientes. Embora todos sejam considerados essenciais para o crescimento e desenvolvimento vegetal, essa divisão leva em consideração a quantidade requerida pela planta, sendo que, os macronutrientes são aqueles requeridos em maiores quantidades, enquanto os micronutrientes são aqueles requeridos em menores quantidades. Sobretudo, vale destacar que ambos exercer funções essenciais no metabolismo vegetal, e a deficiência de dado nutriente, pode impactar negativamente o crescimento vegetal, mesmo que esse nutriente seja requerido em pequenas quantidades.
Dentre os principais macronutrientes requeridos pelas plantas, destacam-se o Nitrogênio (N), o Potássio (K), o Fósforo (P), o Enxofre (S), o Cálcio (Ca) e o Magnésio (Mg). Já os micronutrientes essências para as plantas são o Ferro (Fe), o Manganês (Mn), o Zinco (Zn), o Boro (B), o Cobre (Cu) e o Molibdênio (Mo). Dependendo da espécie vegetal, alguns micronutrientes como Cobalto (Co), Silício (Si), Selénio (Se) e Níquel, também podem ser requeridos para o bom crescimento e desenvolvimento vegetal (IPNI, s.d.).
Fisiologica e bioquimicamente, os nutrientes desempenham diversas funções no metabolismo vegetal (tabela 1), estando envolvidos desde a síntese de proteínas e ácidos nucleicos, até processos complexos da fotossíntese e síntese de fotoassimilados. Ainda que varie um pocou em função da espécie, normalmente as funções dos nutrientes na planta se assemelham para ambas as plantas, especialmente com relação as funções bioquímicas.
Tabela 1. Principais macro e micronutrientes essenciais para as plantas e funções desempenhadas no metabolismo vegetal.

Os sintomas de deficiência variam de acordo com a natureza do nutriente, suas funções bioquímicas na planta e sua mobilidade nos tecidos vegetais. Nutrientes mais móveis no floema tendem a apresentar sintomas de deficiência nas folhas mais velhas, pois são redistribuídos para os tecidos em crescimento. Por outro lado, nutrientes com baixa mobilidade ou considerados imóveis geralmente manifestam seus sintomas primeiro nas folhas mais jovens, onde não conseguem ser realocados a partir de outras partes da planta.
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As características visuais dos sintomas expressos pelas deficiências nutricionais variam de acordo com o nutriente em questão e a evolução do sintoma. Algumas características se assemelham como a clorose, mas podem ser diferenciadas de acordo com o formato do sintoma e local de ocorrência (folhas jovens ou folhas velhas). Confira na figura abaixo as principais características dos sintomas de deficiência nutricional que podem auxiliar na diagnose da deficiência.
Nutrição de Plantas: Mecanismos de absorção e transporte
Embora práticas complementares de adubação como a fertilização foliar possam ser adotadas com o intuído de realizar o ajuste fino da nutrição dependendo da mobilidade do nutriente no floema, a absorção de nutrientes pela planta se dá basicamente pela raiz. Em solos com pH adequado, os nutrientes estão disponíveis para as plantas na solução do solo.
O transporte de nutrientes no interior da planta pode ocorrer de forma ativa ou passiva, por meio do fluxo de massa, difusão e interceptação pela raiz (figura 4). No fluxo de massa, o nutriente é carregado juntamente com a água da solução do solo, enquanto que na difusão, os nutrientes se movimenta de locais de maior para menor concentração na solução do solo. Já a interceptação radicular ocorre quando a raiz ao crescer, encontra nutrientes, ou seja, a raiz que vai em busca do nutriente (Paulilo; Viana; Randi, 2015). Nesse contexto, a arquitetura radicular influencia na capacidade da planta em absorver nutrientes do solo, visto que, quanto maior e melhor distribuído o sistema radicular da planta no perfil do solo, maior a faixa de solo explorada e consequentemente maior o acesso a nutrientes do solo.
Parte do transporte de nutrientes no interior da planta ocorre via apoplasto (pelas paredes celulares e espaços intercelulares), de forma passiva, e parte via simplasto (através do citoplasma das células), exigindo energia do ATP para atravessar a membrana plasmática (transporte ativo). Esse transporte ativo é mediado por proteínas de membrana, como canais iônicos e transportadores específicos. A bomba de prótons (H⁺-ATPase) expulsa H⁺ da célula, criando um gradiente eletroquímico que facilita a entrada de cátions (K⁺, Ca²⁺, Mg²⁺) por canais seletivos, e de ânions (NO₃⁻, H₂PO₄⁻) por transportadores. Quando o íon entra a favor do gradiente de concentração, o processo é chamado de difusão facilitada (Paulilo; Viana; Randi, 2015).
Figura 4. Tipos de transporte de substâncias através da membrana plasmática.

Uma vez no xilema, os nutrientes seguem com a água até as folhas. Para entrarem nas células foliares, precisam novamente atravessar membranas. Há também movimento lateral entre xilema e floema, permitindo a redistribuição de nutrientes (especialmente o potássio), que circula intensamente em ambos os sistemas de condução.
Além da concentração de nutrientes, fatores como pH do solo e microbiota influenciam na disponibilidade e absorção de nutrientes pelas plantas. Com relação ao pH, sabe-se que há uma relação entre a disponibilidade dos nutrientes no solo e seu pH, sendo que, de maneira geral, solos com pH abaixo de 5,5 tendem a limitar a disponibilidade dos nutrientes para as plantas, mesmo esses nutrientes estando presentes em elevadas concentrações no solo.
Ainda que os nutrientes apresentem um comportamento distinto em função da disponibilidade de acordo com o pH do solo, a faixa de pH entre 5,5 a 6,5 tende a concentrar uma maior disponibilidade de ambos os nutrientes, sendo portanto, a faixa de pH recomendada para o cultivo da maioria das espécies de interesse agrícola.
Figura 4. Relação entre pH e disponibilidade de nutrientes no solo.

A microbiota do solo por sua vez, influi na disponibilidade e absorção de nutrientes pelas plantas. Microrganismos como as bactérias fixadoras de nitrogênio, capturam o nitrogênio atmosférico e o transformam em formas assimiláveis pelas plantas, fornecendo esse nutriente para a cultura. Além desses microrganismos, fungos micorrízicos são conhecidos por atuarem de forma benéfica, influenciando a absorção de nutrientes pelas plantas.
Fungos micorrízicos arbusculares desenvolvem, fora da raiz de seu hospedeiro, um sistema altamente ramificado (micélio) de hifas que explora o solo, aumentando a capacidade da planta em absorver nutrientes do solo e resistir a estresses abióticos (Santos, 2025). Em contrapartida, a planta fornece ao fungo, parte dos carboidratos produzidos na fotossíntese (Costa, 2024).
Figura 5. Visualização do micélio extrarradical de Glomus mosseae expandindo-se a partir de raízes colonizadas de Prunusce rasifera. A frente de avanço do micélio extrarradical é indicada pelas pontas de setas, e as raízes da planta, por uma seta. Observe as diferenças nos comprimentos e nos diâmetros das raízes e das hifas. (De Smith e Read, 2008, apud. Taiz et al., 2017).

Quais as principais fontes de nutrientes para a nutrição das plantas?
Visando elevar os teores nutricionais no solo, diferentes fontes de fertilizantes podem ser empregadas no manejo da fertilidade do solo. Dentre as principais fontes de nutrientes para as plantas, destacam-se os fertilizantes minerais, os fertilizantes orgânicos ou biofertilizantes e os microrganismos que contribuem para o fornecimento de nutrientes às plantas, por meio de processos simbióticos e associativos.
Fertilizantes minerais
Em geral, os fertilizantes minerais são sais inorgânicos solúveis, com solubilidade variável de acordo com o nutriente, podendo apresentar suscetibilidade a lixiviação. Em função da concentração de nutrientes e disponibilidade industrial, os fertilizantes minerais são as fontes de nutrientes mais utilizadas em sistemas intensivos de cultivo (Horowitz; Bley; Correa, 2016).
Dentre os principais fertilizantes minerais utilizados em culturas agrícolas, destacam-se as formulações N-P-K, (Nitrogênio, Fósforo e Potássio), fertilizantes nitrogenados como a ureia, fertilizantes potássicos como o cloreto de potássio e fertilizantes fosfatados como superfosfato simples ou triplo.
Biofertilizantes
Os biofertilizantes são considerados produtos de origem orgânica, oriundos de resíduos culturais, resíduos agroindustriais ou macrorganismos. A concentração de nutrientes dos biofertilizantes é normalmente baixa, o que implica na necessidade de utilizar doses maiores do que aquelas dos fertilizantes minerais para suprir a mesma quantidade de nutrientes. Além disso, parte dos nutrientes está contida na forma de compostos orgânicos, os quais necessitam ser mineralizados no solo para se tornarem disponíveis às plantas. Assim, a taxa de mineralização desta fração orgânica irá determinar a eficiência agronômica em comparação aos fertilizantes minerais (Nicoloso et al., 2016).
Os biofertilizantes atuam de forma benéfica no solo, estimulando a fauna edáfica, e favorecem a ciclagem dos nutrientes. Além disso, o uso adequado e contínuo desses biofertilizantes, tende a contribuir para o aumento do teor de matéria orgânica no solo, melhorando a fertilidade do solo de forma mais sustentável.
Fertilizantes organominerais
Os fertilizantes organominerais combinam as características dos fertilizantes minerais e dos biofertilizantes, sendo formulados industrialmente pela mistura entre ambos os fertilizantes
Inoculantes
Diversos microrganismo, quando inoculados, podem atuar de forma benéfica para auxiliar na nutrição vegetal. Bactérias fixadoras de nitrogênio do gênero Bradyrhizobium podem fornecer todo o nitrogênio necessário para boas produtividades de soja via fixação biológica do nitrogênio (Gitti, 2016). De forma sinérgica, microrganismos coinoculados como Bradyrhizobium + Azospirillum podem elevar a produtividade da soja em até 16% (Prando et al., 2019).
Em culturas distintas como o milho, a inoculação com Azospirillum contribui para o aumento da produtividade e boa nutrição vegetal de forma proativa. Ainda que possua uma pequena capacidade em fixar o nitrogênio atmosférico, esse microrganismo atua na promoção do crescimento radicular, aumentando a zona rizosférica e a camada de solo explorado pelas raízes, possibilitando maior acesso da planta aos nutrientes nas camadas mais profundas do solo.
Indiretamente, algumas espécies de fungos também contribuem para a nutrição vegetal, seja por meio da solubilização de nutrientes no solo ou pela simbiose com raízes de plantas como ocorre no caso das micorrizas. De acordo com Jacott, Murray e Ridout (2017) as micorrizas contribuem para o aumento do volume de solo explorado pela planta, bem como promovem maior tolerância das plantas a condições de estresse, aumentam a resistência a patógenos radiculares e foliares, e contribuem para a mitigação dos efeitos tóxicos de metais pesados.
Algumas espécies de microrganismos também possuem a habilidade em solubilizar nutriente do solo, em especial os fosfatos, aumentado a disponibilidade do fósforo retido no solo para as plantas em desenvolvimento. Ou seja, de forma direta ou indireta, a inoculação das culturas com microrganismos benéficos tende a melhorar as condições nutricionais do solo, favorecendo o crescimento de desenvolvimento vegetal, podendo em alguns casos até mesmo reduzir a necessidade da utilização de fertilizantes minerais.
Como ter eficiência na nutrição de plantas?
A eficiência do uso dos nutrientes refere-se à capacidade da planta em absorver, translocar, metabolizar e converter os nutrientes disponíveis em biomassa ou em produção agrícola. Essa eficiência pode ser influenciada por fatores bióticos e abióticos, que afetam a capacidade da planta em absorver os nutrientes e/ou fatores conexos a perdas dos nutrientes, principalmente relacionados a lixiviação, escoamento superficial e volatilização.
Especialmente se tratando de nutrientes com maior mobilidade no solo, como nitrogênio e potássio, as perdas por escoamento superficial ou lixiviação são comuns ao utilizar elevadas doses desses fertilizantes. Além disso, o nitrogênio na forma de ureia apresenta uma perda considerável por volatilização. Uma forma de reduzir essas perdas é recobrir ou incorporar à ureia aditivos, como por exemplo, inibidores de urease e de nitrificação ou o recobrimento dos grânulos com coberturas físicas proporcionando menor solubilidade. Esses processos conferem uma estabilidade temporária ao produto (Horowitz; Bley; Correa, 2016).
Algumas práticas de manejo como o fracionamento das adubações de cobertura também auxiliam na redução das perdas por escoamento superficial e lixiviação. Alternativas como o uso de fertilizantes de liberação lenta (gradual), também auxiliam para a redução das perdas nutrientes. De acordo com Almeida (2016), o uso de fertilizantes nitrogenados de liberação lenda reduz as perdas por volatilização e aumenta a eficiência no uso do nutrientes, elevando a disponibilidade nutricional por um período mais prolongado do desenvolvimento da cultura. Sobretudo, visando uma nutrição equilibrada e o aumento da eficiência dos nutrientes, as adubações devem levar em consideração os níveis de fertilidade do solo, com base nas análises químicas da fertilidade, evitando o aporte desnecessário de nutrientes.
Fatores bióticos e abióticos
Dependendo do nutriente, fatores bióticos e abióticos podem interferir na sua absorção e metabolização pela planta, de forma positiva ou negativa. Microrganismos fixadores de nitrogênio, promotores do crescimento vegetal (especialmente do sistema radicular) e/ou indutores de resistência, tendem a melhorar a absorção de nutrientes pelas plantas, afetando positivamente o crescimento e desenvolvimento vegetal.
Exemplos clássicos são as bactérias Bradyrhizobium e Azospirillum, que atuando de forma simbiótica e associativa, respectivamente, e podem potencializar a absorção de nutrientes por Fabaceas como a soja, resultando não só no aumento da eficiência nutricional da planta, como também no incremento de produtividade, podendo chegar a mais de 25% em comparação a soja não coinoculadas (Araujo et al., 2025).
Da mesma forma, a interação entre fungos micorrízicos e plantas afeta a absorção de nutrientes. No entanto, assim como microrganismos benéficos, microrganismos fitopatogênicos, como os fitonematoides, podem acometer as raízes das plantas, afetando a sanidade do sistema radicular e prejudicando consequentemente a absorção dos nutrientes.

Fatores abióticos, como os estresses ambientais, também influenciam a capacidade das plantas de absorver e metabolizar os nutrientes. Dentre os estresses mais limitantes à nutrição vegetal, destaca-se o estresse hídrico. Sob déficit hídrico, as plantas tendem a reduzir a fotossíntese e, consequentemente, a produção de fotoassimilados, o que afeta a dinâmica de demanda e transporte de nutrientes. Além disso, a baixa umidade do solo dificulta a absorção de nutrientes da solução do solo, exigindo maior gasto energético pelas raízes para captar os elementos essenciais.
De modo geral, condições de estresse como temperaturas extremas, déficit ou excesso de umidade e variações na luminosidade podem alterar processos metabólicos da planta, influenciando tanto a demanda quanto a eficiência na utilização dos nutrientes, com impacto direto na nutrição vegetal (Taiz et al., 2017).
Não menos importante, a competição interespecífica ou intraespecífica de plantas por nutrientes pode afetar a nutrição, desencadeando uma relação entre plantas dominantes e dominada, prejudicando o crescimento e produtividade da cultura, sendo portanto, essencial realizar o adequado posicionamento de populações de culturas no campo, bem como o controle de plantas daninhas em áreas agrícolas.
Uma nutrição adequada e balanceada é fundamental para o sucesso da lavoura. Embora o solo contenha diversos nutrientes, apenas alguns são considerados essenciais para o crescimento e desenvolvimento das plantas, por exercerem funções metabólicas vitais. Nesse contexto, a adubação torna-se indispensável para suprir a demanda nutricional das culturas, especialmente com relação aos nutrientes essenciais que se encontram em concentrações insuficientes no solo, comprometendo o potencial produtivo das plantas.
Além disso, fatores bióticos e abióticos, como a presença de pragas, doenças, estresse hídrico, variações de temperatura e luminosidade, podem influenciar diretamente a absorção, o transporte e a utilização dos nutrientes pelas plantas. Por isso, é necessário adotar estratégias que favoreçam o aumento da eficiência de uso dos nutrientes, reduzam perdas e promovam maior retorno agronômico.
Nesse sentido, conhecer as exigências nutricionais das culturas, a fertilidade do solo e as características químicas e físicas dos fertilizantes é essencial para aumentar a eficiência das plantas, e para o planejamento de um manejo nutricional, sustentável e economicamente viável.
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