No atual quadro da agricultura mundial, a palavra chave é eficiência. Com os elevados preços dos principais insumos agrícolas, o agricultor tem que tirar o máximo proveito de todos os produtos que são utilizados nas culturas, visando obter aumentos de produtividade e, ao mesmo tempo, redução de custos para que a atividade tenha rentabilidade.
No atual quadro da agricultura mundial, a palavra chave é eficiência. Com os elevados preços dos principais insumos agrícolas, o agricultor tem que tirar o máximo proveito de todos os produtos que são utilizados nas culturas, visando obter aumentos de produtividade e, ao mesmo tempo, redução de custos para que a atividade tenha rentabilidade.
Tendo em vista que o potencial produtivo das principais cultivares de trigo em ambiente controlado é de cerca de 15.000 kg ha-1 e que a produtividade média nacional é de 2.070 kg ha-1, torna-se estratégico o emprego de novas tecnologias, que proporcionem aumentos em produtividade, que melhorem o aproveitamento dos recursos disponíveis, visando sustentabilidade dos sistemas agrícolas e evitem prejuízos ao ambiente.
Bioreguladores, cujos efeitos são similares aos hormônios vegetais conhecidos (auxinas, citocininas, giberelinas), desempenham um papel importante podendo uniformizar a germinação, estimular o desenvolvimento radicular e o perfilhamento, melhorar o enchimento de grãos e antecipar ou atrasar a maturação. Essas substâncias são eficientes quando aplicadas em pequenas doses, favorecendo o bom desempenho dos processos vitais da planta, permitindo obter maiores e melhores colheitas, mesmo sob condições ambientais adversas (Martins & Castro, 1999).
O pesquisador Eng. Agr. Dr. Marcelo Cruz Mendes, da Universidade Estadual do Centro-Oeste do Paraná, avaliou os efeitos do bioregulador líquido Stimulate®, composto de citocinina (90 mg L-1), auxina (50 mg L-1) e giberelina (50 mg L-1), aplicado em tratamento de sementes, pulverização foliar no perfilhamento e no florescimento, sobre a massa de mil grãos e produtividade do trigo. Os tratamentos consistiram de aplicações isoladas do bioregulador nas sementes (4ml/kg) e no perfilhamento (0,25L/ha), e da combinação da aplicação nas sementes e no florescimento (0,25L/ha), além da testemunha que não recebeu o produto, na cultivar Quartzo.
O ensaio foi conduzido em condições de campo no município de Guarapuava/PR. Para as aplicações isoladas de Stimulate nas sementes e na fase vegetativa, verificou-se um aumento de 10 sc/ha na produtividade do trigo e incrementos de 4,9 e 6,1% respectivamente na massa de mil grãos. Já para o tratamento com 2 aplicações (sementes + florescimento) observou-se um incremento significativo de 15 sc/ha na produtividade (Figura 1), além de aumentar também significativamente em 10% a massa de mil grãos (Tabela 1).
Figura 1. Produtividade de plantas de trigo da cultivar Quartzo, em função das aplicações do bioregulador Stimulate® em diferentes estádios fenológicos.
Tabela 1. Massa de mil grãos de trigo da cultivar Quartzo, em função das aplicações do bioregulador Stimulate® em diferentes estádios fenológicos da cultura.
Médias seguidas da mesma letra não diferem estatisticamente ao nível de 5% de probabilidade de acordo com o teste de Tukey.
*Stimulate: Biorregulador líquido, composto de citocinina (90 mg L-1), auxina (50 mg L-1) e giberelina (50 mg L-1), aplicado na dose de 4ml/kg de sementes ou 0,25L/ha em pulverização foliar no trigo.
Conhecendo os efeitos das citocininas, auxinas e giberelinas, estes aumentos na massa de mil grãos e em produtividade podem ser reflexo dos benefícios do bioregulador na germinação de sementes e desenvolvimento inicial de plantas, permitindo uma antecipação na formação do sistema radicular e, conseqüentemente, uma melhor exploração dos recursos disponíveis no solo, tornando as plantas mais eficientes.
O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) classifica os bioreguladores como Reguladores de Crescimento. É importante que o produtor utilize apenas os bioreguladores que estejam registrados no MAPA, pois para eles foram realizados estudos de impacto ambiental, toxicológicos e de eficácia agronômica, informações estas fundamentais para o correto uso do produto, sem prejuízos ao produtor e ao ambiente.
Alguns produtos chamados de bioestimulantes ou estimulantes vegetais, que podem conter reguladores vegetais com outras substâncias (aminoácidos, nutrientes, vitaminas, ácidos húmicos e extratos de algas), não são reconhecidos pelo MAPA como Reguladores de Crescimento e são diferentes de bioreguladores. Não tendo registro como tal, carecem de informações seguras sobre seu impacto no ambiente e sobre seus efeitos agronômicos. Há trabalhos que mostram que os bioestimulantes ou estimulantes vegetais podem não favorecer, ou até mesmo diminuir a absorção de nutrientes pelas plantas, indicando que as respostas às suas aplicações podem depender de outros fatores, tais como da espécie da planta e da composição das substâncias húmicas e dos extratos de algas presentes nos produtos (Csinzinszky, 1990; Cooper et al., 1998; Delfine et al., 2005).
Alta produtividade é o resultado final de uma equação complexa que se inicia com o potencial genético das sementes, inclui o ambiente favorável para as plantas produzirem e termina na capacidade destas em explorar este ambiente. O equilíbrio hormonal adequado define a eficiência das plantas em aproveitar os recursos disponíveis, o que pode ser obtido com o uso de bioreguladores.
Referências bibliográficas
COOPER, R.J.; LIU, C.; FISCHER, D.S. Influence of humic substances on rooting and nutrient content of creeping bentgrass. Crop Science, v.38, p.1639-1644, 1998.
CSINZINSZKY, A.A. Response of two bell peppers (Capsicum annum L.) cultivars to foliar and soil-applied biostimulantes. Soil Science Society of America Proceedings, n.49, p.199-203, 1990.
DELFINE, S.; TOGNETTI, R.; DESIDERIO, E.; ALVINO, A. Effects of foliar application of N and humic acids on growth and yield of durum wheat. Agronomy for Sustainable Development, v. 25, p. 183-191, 2005.
Martin; M.B.G.; Castro, P.C.R. Efeito da giberilina e etephon na anatomia de plantas de cana-de-açúcar. Pesquisa Agropecuária Brasileira, v. 34, n. 10, p. 1855-1863, 1999.
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